A verdade sobre essa tal jornada

Eu usualmente chamo o meu processo de autoconhecimento, o caminho que eu segui para me conhecer e me encontrar de “a minha jornada”.

Eu gosto desse nome, porque me dá a ideia de quem parte em uma viagem, com uma mochila nas costas, desbravando o mundo, pronto para encarar os desafios da estrada.

Fala a verdade, quando alguém te diz “uma jornada”, você pode até imaginar essa pessoa andando pela Índia, com um cajado nas mãos, em um nobre trajeto, com um destino mais nobre ainda. Soa um pouco romântico, até meio místico!

Mas, a verdade, essa que eu vim te contar, é que essa jornada para dentro de você não tem nada de muito especial.

“COMO ASSIM?????” Calma que eu me explico!

Como eu disse, a jornada de autoconhecimento é um termo meio romanceado, tanto que, ao iniciar a sua, em busca do seu verdadeiro eu, você tem certeza que, no momento em que entrar em contato com a sua essência, uma música tocará, 10 querubins descerão dos céus, tocando suas harpas, seguindo um feixe de luz dourada, e dançarão ao seu redor, para selar o momento mais especial e marcante da sua vida. Afinal, é uma JOR-NA-DA! Uma experiência transcendental!

Pois é, agora volta pro mundo real que eu vou te dar um relato de quem já chegou lá.

A sua jornada de autoconhecimento é mais um destralhe do que qualquer outra coisa.

Você nasceu puro e genuíno. Sim, você nasceu você mesmo, esse você mesmo que hoje você tanto busca.

Legal, né? O problema é que durante o caminho, você deixou que um pouquinho de poeira se acumulasse sobre você, umas crenças limitantes daqui, uns bloqueios dali… Mais adiante, e caiu mais um pozinho sobre você: a comparação, alguns sabotadores e te mostraram um tal de padrão a ser seguido.

Também te disseram que seus sonhos são besteira, que você nunca vai chegar a lugar nenhum se não fizer uma faculdade, que tem que ter um emprego, se casar, ter filhos e que grande parte disso será um fardo. Aí veio mais uma bela pá de terra, na verdade, está mais para um caminhão de terra, tudo soterrando você.

Depois, jogaram um galão de petróleo sobre a sua essência, e no rótulo do galão estava escrito “medo”.

Pronto, você já não consegue mais se ver, ou até consegue, mas prefere fingir que não viu, afinal, todas as mensagens que você recebeu até hoje te dizem que aquilo que você vê não é o certo!

E você, em um belo momento, um memorável momento, de exaustão com tudo isso, determinado a retomar o controle da SUA VIDA, resolve parar o mundo e voltar a se encontrar. Tem início a sua jornada (tãnãnã…!!!)!

Agora é hora de tirar o pó, às vezes com uma pá, outras com uma escavadeira. Ir tirando de cima de você tudo o que foi colocado ali e que simplesmente não é seu. Desfazer-se de toda aquela tralha, acumulada durante uma vida inteira, para encontrar o que, na verdade, nunca deixou de estar ali, bem debaixo do seu nariz, ora agitado e inquieto, ora descrente e adormecido por tanto peso: você mesmo!

E, quando você se percebe, se for como eu, quando chegar ao fundo de toda essa terra, dirá: “Sério? É isso? Mas era isso? Eu mesma? Bom, quer saber? Valeu a pena! Eu sou incrível!”

Sim, era só eu! Mas não era só isso, era TUDO ISSO! Foi uma senhora jornada! E foi mais mágico do que 100 querubins dançando à minha volta!

Chegou a hora de ser você! Então, vem comigo!