O essencial é invisível aos olhos

Sempre vi muitas mulheres andando sem maquiagem por aí, mas nunca sem que eu me perguntasse: “Como isso é possível?”.

Sentia aquele geladinho na barriga sempre que me imaginava transitando pela rua de cara limpa, completamente lavada, sem um batonzinho sequer…

E todas as minhas imperfeições? O que fazer com elas? Não, obrigada, eu fico com meu corretivo de cada dia e sigo feliz e confiante.

O problema, meu amigo, é que essa tal de vida é faceira e também não é lá muito fã de incoerências.

Explico.

Você com certeza já me viu/ouviu/leu defendendo em brados retumbantes a necessidade de cultivar a autenticidade, de ser exatamente aquilo que você é e não o que as pessoas gostariam que você fosse. (Essa frase é muito a minha cara!)

Até então era exatamente assim que eu achava que vivia. Ahãm…

Se você ainda não percebeu a incoerência, vou deixá-la mais clara: Como pode uma pessoa defender tanto a autenticidade e não ter coragem de mostrar ao mundo quem ela realmente é?

Mas, como não poderia deixar de ser, vem a vida com toda a sua faceirice e me brinda com uma dermatite no rosto, seguida da seguinte declaração médica: “Nenhum cosmético no rosto.”

Respirei tranquilamente, afinal, nada no rosto quer dizer uma maquiagem nude e um rímel incolor, certo? De novo, ahãm…

Nada quer dizer NADA, nem um corretivo, nem um lápis, nem um batonzinho sequer. Pânico? Pois é, dali em diante era apenas eu e nada mais.

Mas o que realmente me chocou foi o que veio a seguir.

Claro que no primeiro momento foi um baque. Nunca me senti tão exposta e vulnerável! Todas as minhas imperfeições, minhas olheiras, as sardas do rosto e aquela palidez incomparável bem ali, ao alcance dos olhos de quem quisesse ver.

O bizarro foi que, bem rapidamente, aquele sentimento de superexposição deu lugar a uma sensação estranha, uma leveza, algo muito diferente do que eu já tinha sentido até então.

Percebi que aquela era a leveza de se viver uma vida sem máscaras, nem mesmo a máscara para cílios. Aquilo era mostrar de forma escancarada ao mundo quem sou eu, debaixo de qualquer tipo de camada. E, ah, como eu gostei!

O medo e angústia deram lugar a um sentimento de amor imenso por mim mesma.

E hoje desfilo minha cara limpa por aí, sentindo-me linda e exuberante, pois, como aprendi com um certo pequeno príncipe, o essencial é invisível aos olhos!

Ps.: não sou contra maquiagem. Ao contrário, sou super a favor. Assim que me liberarem voltarei a usar meu make de cada dia. Só que as pinceladas que se seguirão apenas serão dadas para realçar uma beleza já consolidada dentro do coração.